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Artigos07.08.2009 - Como Lutar contra a DiabetesO Dr. Neal Barnard, fundador e presidente do Comité Médico para Medicina Responsável, fala com Heather Quintana, sobre o que há de mais recente na forma de lutar contra a diabetes. Vibrant Life: Dê-nos uma ideia da extensão do problema da diabetes. Dr. Neal Barnard: Está a chegar a níveis epidémicos. Há 200 milhões de pessoas – ou mais – no mundo que têm diabetes tipo II. Com cada ano que passa, torna-se mais comum. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, em Atlanta, estimam que as crianças nascidas a partir do ano 2000 têm um risco de um em cada três de desenvolver a diabetes em alguma altura da sua vida. É um número astronómico que nunca tivemos. V.L.: Porque é que a diabetes se está a tornar mais comum? Dr. N.B.: A causa principal é, na verdade, a dieta ocidental. Por exemplo, o americano médio consome cerca de 20kg de carne a mais todos os anos, se comparado com o que se consumia nos anos 60. Todos os anos, o americano médio consome cerca de 12kg de queijo a mais do que nos anos 60. V.L.: Muitas pessoas, a quem foi diagnosticada a diabetes, sentem-se desanimadas, temendo que a diabetes seja uma doença que piorará, inevitavelmente. Qual é a sua mensagem para elas?
Dr. N.B.: Temos
algumas notícias importantes. Precisamos dessas notícias, porque a
diabetes piora, realmente. Para a maioria das pessoas, leva a
complicações terríveis. Cerca de 75% das pessoas com diabetes têm um
ataque cardíaco, do qual morrem. É a principal causa de cegueira, de
amputações, e de falha renal. V.L.: Estruturou as suas recomendações alimentares à volta do que chama os novos quatro grupos de alimentos. Dr. N.B.: Alguns de nós crescemos com os antigos quatro grupos alimentares, em que os vegetais e as frutas tinham de partilhar um grupo. Nos novos quatro grupos alimentares, há vegetais, frutas, grãos integrais e leguminosas. Portanto, para o pequeno-almoço, pode significar uma taça de papa de flocos de aveia. Para o almoço, pode ser feijão com arroz ou um chili vegetariano. Para o jantar, pode ser esparguete com molho de cebolada. V.L.: Isso pode ser uma ideia drástica, para muitas pessoas. Que conselho dá àquelas que estejam a pensar em mudar? Dr. N.B.: Parece mais difícil do que é. Temos uma maneira que funciona a 100%. Basicamente, há dois passos no plano.
PASSO 1: Vá fazer compras. Vamos dizer que
encontrou uma receita de que gostou. Vá comprar os alimentos e
experimente para ver se gosta. Se encontrar uma receita para um caril
vegetariano, faça-a. Se não gosta de cozinhar, mesmo que coma alimentos
convencionais, experimente uma pizza vegan. Ou compre cachorros-quentes
vegetarianos. Vá provando a comida durante uma semana para ver como ela
é. V.L.: Além das mudanças na alimentação, que outros estilos de vida ajudam a prevenir, controlar ou reverter a diabetes?
Dr. N.B.: O
exercício físico ajuda muito. Ajuda as pessoas a perderem peso, e
fá-las sentir melhor, portanto é menos provável que comam entre as
refeições. V.L.: Encontrou resistência da parte das pessoas no que se refere a esta abordagem da alimentação e estilo de vida?
Dr. N.B.: Sim, mas
resistência não quer dizer “não”. Por exemplo, se disser a um doente
que a investigação mostra que a sua diabetes melhorará se ele adoptar
uma alimentação vegan, pondo de lado a carne, mantendo a gordura e o
açúcar em níveis baixos, o doente oporá resistência. É natural. Dirá:
“Não saberia o que comer” ou “Viajo muito, e a minha família quererá
separar-se de mim”. Muitos médicos interpretarão isso como uma recusa.
Não é uma recusa. É apenas resistência. E a resistência está a
considerar os desafios que precisam de ser ultrapassados para ser capaz
de aceitar as recomendações. V.L.: O que quer que as pessoas saibam sobre a diabetes? Dr. N.B.: A diabetes pode ser revertida. Com revertida quero dizer que se se tiver um nível de açúcar no sangue cada vez mais alto, pode começar a descer. Se tiver de recorrer a doses cada vez maiores de medicação, essas doses poderão começar a ser reduzidas. Se já se tiver tido complicações, essas complicações poderão diminuir e, em alguns casos, até podem ser evitadas. Não estou a dizer que todas as pessoas com diabetes serão curadas, mas as pessoas podem melhorar, e, em alguns casos, melhorar muito. O Dr. Neal Barnard é o fundador e presidente do Comité Médico para Medicina Responsável. Também é presidente do Cancer Project (Projecto do Cancro), chefe do Washington Center for Clinical Research (Centro de Washington para a Investigação Clínica), e professor adjunto da George Washington University. O seu último livro tem o título “Dr. Neal Barnard’s Program for Reversing Diabetes (Programa do Dr. Neal Barnard para Reverter a Diabetes). Comentários |
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