Técnicas
Existem várias técnicas cirúrgicas para a obesidade. As
mais eficientes são as operações mistas que reduzem
o tamanho do estômago e promovem alterações na
absorção dos alimentos(em quantidades variáveis).
Além disso, promovem alterações nos hormônios relacionados com a fome e com a sensação de saciedade (Grelina, PYY, Oximodulina, e outros). Pesquisas indicam, também, que a queima de calorias parece aumentar em animais operados, o que explica o fato de que pacientes após alguns anos de operados comem muito bem e não voltam a ganhar o peso perdido. .
As mais utilizadas são: Gastroplastia Vertical com anel
de contenção +Gastroenteroanastomose em Y de Roux (cirurgia
de Capella) , o Duodenal-Switch e o Bypass Bilio-Pancreático
( cirurgia de Scopinaro), e a Banda Gástrica (Lapband). A
escolha da cirurgia é feita após a avaliação
do cirurgião, de acordo as características de cada paciente
que pode e deve ter sua opinião.
Existe também, o Balão
Intra-Gástrico (não é uma
cirurgia) que tem indicações restritas a casos especiais,
visto que o índice de perda de peso a longo prazo não é tão
bom quanto o índice das cirurgias.
É importante frisar que o sucesso do tratamento cirúrgico
da obesidade mórbida depende, principalmente, da motivação
do indivíduo e de uma indicação cirúrgica
precisa. É muito importante que o paciente se sinta devidamente
esclarecido e deseje alcançar os benefícios oferecidos
pela cirurgia. Deve aceitar plenamente o que lhe é proposto,
compreendendo as razões da operação e estar preparado
para eventuais desconfortos e mesmo complicações próprias
de todo ato cirúrgico. Para tanto, é fundamental
a existência de uma equipe multidisciplinar onde todos os
profissionais envolvidos (médicos, psicólogos, nutricionistas),
sejam motivados e tenham, cada um em sua área, profundos
conhecimentos das alterações próprias da obesidade,
que vai julgar a indicação e o momento oportuno da realização
da cirurgia.
Do ponto de vista médico, a equipe toda deve
estar preparada para oferecer o tratamento pré-operatório
mais adequado, a execução da operação com
habilidade e segurança, com acompanhamento pós-operatório
imediato e tardio eficientes TODAS AS CIRURGIAS PODEM SER REALIZADAS
PELA VIDEOLAPAROSCOPIA (CONHECIDA COMO “LASER”), QUE OFERECE
MUITAS VANTAGENS AO PACIENTE (RECUPERAÇÃO MAIS RÁPIDA,
MENOS DOR, MENOR CICATRIZ, MENOR CHANCE DE FORMAÇÃO DE
HÉRNIAS, ETC
Conheça as cirurgias:
BYPASS GÁSTRICO COM ANEL
Nesta cirurgia (conhecida também como: redução
de estômago, Capella ou gastroplastia) é construído
um pequeno reservatório gástrico proximal ou tubo, habitualmente
com volume de 40 ml, dentro do qual deságua o esôfago. É colocado
um anel de silicone para retardar o esvaziamento dos alimentos sólidos. Com o
desvio gástrico em Y de Roux, o alimento passa do tubo gástrico
diretamente para dentro do intestino, não passando, portanto,
no restante do estômago e do duodeno. A perda do peso baseia-se
no princípio de que o paciente ingerindo pequena quantidade
do alimento se sente saciado (satisfeito) devido a mínima distensão
do tubo gástrico, ou caso for ingerida uma quantidade excessiva
de alimento é provável que venha a vomitar. Além
disso, a maioria dos pacientes, que por acaso venham a abusar de alimentos
calóricos (pudins, sundaes, milk-shake, leite condensado, sorvete,
etc.), sentirá mal estar geral com tontura, queda de pressão
arterial e diarréia, sintomas estes que os médicos conhecem
como “Síndrome de Dumping”. Este sério
inconveniente não ocorrerá se forem evitados estes alimentos
e dessa forma mantém-se a perda de peso.

A diferença desta cirurgia para a cirurgia de capella é que
não existe o anel de silicone. A saída do tubo gástrico para o intestino
delgado deve ser pequena com 11 a 12 mm de diâmetro, para retardar
o esvaziamento dos alimentos sólidos. Ou seja, na realidade continua existindo um “anel”, só que este é construído com o próprio tecido do paciente.
Nesta cirurgia o paciente aceita melhor os alimentos, pois não
existe um corpo estranho limitando a passagem dos alimentos. Porém, como
em todas as cirurgias, se houver uma cicatrização exagerada
desta passagem (estima-se cerca de 6% dos pacientes) poderá causar
estreitamento que é resolvido através de endoscopia na
maioria das vezes.
Nesta cirurgia é retirada grande parte do estômago,
realizado um desvio dos líquidos intestinais (bile e secreção
pancreática) que ajudam a absorver os alimentos, e realizada
uma diminuição de uma área de absorção
dos alimentos. A desvantagem desses procedimentos é que a longo
prazo existe a possibilidade de ocorrer hipovitaminoses e algum grau
de desnutrição calórica e protéica. Têm
como vantagem principal uma menor restrição na quantidade
de alimentos que podem ser ingeridos.

A Banda Gástrica é um dispositivo que coloca-se em torno
do estômago para diminuir a passagem e o “tamanho” do
estômago. Por ser um método somente restritivo à passagem
dos alimentos, os pacientes devem ser bem selecionados para que haja
sucesso. Tem a grande vantagem de ser uma cirurgia rápida com
retorno as atividades precocemente e baixa permanência hospitalar
(1dia em média). Outra vantagem é que o índice
de complicações maiores é muito pequeno. Suas
desvantagens maiores são: menor perda de peso e rejeição
a prótese.

COMPLICAÇÕES
Os procedimentos médicos invasivos, desde a “simples” endoscopia
a cirurgias complexas como os transplantes de orgãos têm
suas complicações, sejam pequenas (como pequenas hemorragias
nos pontos da pele) ou grandes (embolias, fistulas, ou a maior de todas
que é o óbito). Portanto, a Cirurgia Bariátrica
também é passível de complicações,
por isso o cuidado das avaliações pré-operatórias,
no trans-operatório e pós-operatório., para minimizar
esta possibilidade.
As complicações variam em intensidade
de acordo com a técnica cirúrgica empregada, mas em geral
podemos classifica-las em:
COMPLICAÇÕES MENORES:
- Dor ao engolir (disfagia)
- Febre
- Infecção da incisão cirurgica
- Abertura dos pontos da pele (deiscência de
pele)
- Vomitos
- Nauseas
- Diarréia
COMPLICAÇÕES MAIORES:
- Infecção
- Hemorragias
- Fístulas
- Rejeição ao “anel” ou banda
- Obstrução Intestinal
- Embolia Pulmonar
- Óbito